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Sábado, 19 de Maio de 2007

Lisboa Descodificada - um princípio

Carlos Paredes
Canção

 

Fiz vinte e sete anos em Abril. Em Setembro faz nove anos que vim viver para Lisboa. Um terço da minha vida passado por aqui.

E a pouco e pouco a cidade foi-te tornando menos obscura, menos desconhecida e ainda assim continua intrigante. Porque esta cidade não é uma, são múltiplas que coexistem no mesmo espaço e no mesmo tempo. A cidade dos turistas, que é luminosa e interessante. A Lisboa provinciana, com o homem que distribui pão de bicicleta, com mulheres a sacudir as toalhas cheias de migalhas para a rua, e com senhoras que vão às compras de manhã com a criada. A Lisboa típica, das ruelas e escadinhas de Alfama, dos fadistas castiços de nascença. A Lisboa dos "jovens" ricos, que trabalham em Bancos ou Consultoras, ganham muito dinheiro, vivem bem e estão espalhados um pouco por toda a cidade. A Lisboa noctívaga, do Bairro Alto, Santos, Docas e agora também do Parque das Nações. A Lisboa dos que moram nos subúrbios, e vivem em Lisboa num vai-vem. A Lisboa dos imigrantes, do Martim Moniz, dos Africanos, Indianos, Ucranianos, Chineses. E ainda deve haver tantas outras Lisboasi que eu não conheço.
No princípio, fazia-me uma forte impressão haver aqui tanta gente. Gente com que me cruzava durante o dia, mas tanta, que eu ficava cansada só de passar por eles. Gente sem nome mas que se foi tornando conhecida, pela força de passar nas mesmas ruas à mesma hora tantas vezes. Gente que me entrava pela casa a dentro com as televisões aos berros, com os barulhos nas escadas, até com a sua tosse. Essa falta de sossego, aliada à solidão reinante, deixavam-me extenuada.
Agora, até posso passar um dia a andar de metro, perceber a evolução de um jogo de futebol pelas reacções do vizinho de baixo, já não me afecta.
Devo ter-me tornado indiferente e se calhar, sem querer, já deixei de levantar os olhos do chão quando me cruzo com alguém na rua. Bem me avisaram, antes de eu vir, que isso acontecia muito por cá.
 
PS: Acerca da música "Canção", original de Carlos Paredes composto para o filme "Os Verdes Anos". Pretende retratar a situação da enorme quantidade de pessoas que, nos anos 50/60, migrou do campo para a cidade.

publicado por Ana Teresa Fernandes às 11:07

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