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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005

Duvidar e Questionar

Na última terça-feira fui à Gulbenkian ver a última das conferências do ciclo "Á luz de Einstein" do qual já tinha aqui falado antes. A conferência intitulava-se "2010 Nanospace Odissey" e foi apresentada pelo Professor Harold Kroto, Nobel da Química de 1996 pela descoberta do fulereno e dos nanotubos de carbono. À partida a espectativa era grande: tinha a possibilidade de ouvir um laureado com um Nobel de Química e simultaneamente investigador em Nanotecnologias. E a conferência foi de facto extraordinária. MewithflatmodelLect.jpg Destinada a um público jovem (a sala estava cheia de escolas, com estudantes entre os 12 e os 18 anos), foi óptimo poder assistir ao desmitificar da ideia do cientista louco e alienado preconcebido pela maioria da assistência. O Professor Harold é, além de bom comunicador, um homem sábio. Apresentou-se de uma forma nada pretenciosa dirigindo-se às filas da frente e cumprimentando os miúdos um a um. Durante a apresentação revelou-se cheio de sentido de humor, e um cidadão envolvido e preocupado com o mundo. Também não se envergonhou de mostrar as suas emoções ao falar de velhos amigos desaparecidos. No fundo, todos pudemos ver que aquele homem inteligentíssimo é um homem normal com sentimentos como todos os outros. Bem diferente do "rato de laboratório" que se julga serem os cientistas.
Falou de muita coisa na sua apresentação, desde espectrocopia até malária. Mas mais importante foi a mensagem de entusiasmo que procurou transmitir. Disse que se devem ter interesses diversificados e que só vale a pena nos dedicarmos ao que de facto nos entusiasme. E mais importante: temos de desenvolver o nosso espírito crítico questionando tudo e todos. Duvidando do que nos ensinam e procurando as nossas próprias conclusões. Este é realmente um aspecto muito importante e que constitui uma grande lacuna no nosso sistema educativo, o que depois se reflecte nesta sociedade conformada e facilmente influenciável que temos.
Não será fácil para os professores desenvolver o espírito crítico dos seus alunos. É por certo muito mais fácil que todos os alunos concordem com o que o professor lhe diz, que aceitem como verdade absoluta o que está nos livros, e que saibam a matéria de trás para a frente, mesmo que nunca tenham de facto reflectido sobre ela.
Mas sem esta capacidade de distinguir e criticar esses alunos vão um dia mais tarde acreditar em tudo o que vem escrito no Destak, votar nos políticos que lhe dão frigoríficos em campanhas eleitorais, e entupir-se de novelas depois do jantar. Sem espírito crítico não há método científico que nos valha porque não há uma questão inicial a que responder. Espero que os professores que assistiram com os seus alunos à conferência na terça-feira tenham se recordem disso na próxima aula e itentem incutir algum espírito crítico aos seus alunos. Pode ser que aqueles alunos lhes perguntem um átomo é de facto constituido por protões, neutrões e electrões ou se isso não será uma grande mentira.



Para mais informações podem ver a homepage do Prof. Harold Kroto e o site da Fundação Ciência Vega.




publicado por Ana Teresa Fernandes às 23:34

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2 comentários:
De Anónimo a 16 de Dezembro de 2005 às 17:59
A defesa correu bem, obrigada. Muitas perguntas, mas a maioria não era muito díficil. Daí é que veio o meu bom "feeling", claro.Ana Teresa
</a>
(mailto:ana_pereira@hotmail.com)


De Anónimo a 16 de Dezembro de 2005 às 17:37
Então, como correu a defesa?...



Joao Pereira
</a>
(mailto:joaopereira@contabilidadeprado.mail.pt)


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