da ponta dos dedos

.posts recentes

. Lisboa Descodificada - um...

. Lisboa continua intrigant...

. Mariza

. O Homem do Pão

.arquivos

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005


Sábado, 19 de Maio de 2007

Lisboa Descodificada - um princípio

Carlos Paredes
Canção

 

Fiz vinte e sete anos em Abril. Em Setembro faz nove anos que vim viver para Lisboa. Um terço da minha vida passado por aqui.

E a pouco e pouco a cidade foi-te tornando menos obscura, menos desconhecida e ainda assim continua intrigante. Porque esta cidade não é uma, são múltiplas que coexistem no mesmo espaço e no mesmo tempo. A cidade dos turistas, que é luminosa e interessante. A Lisboa provinciana, com o homem que distribui pão de bicicleta, com mulheres a sacudir as toalhas cheias de migalhas para a rua, e com senhoras que vão às compras de manhã com a criada. A Lisboa típica, das ruelas e escadinhas de Alfama, dos fadistas castiços de nascença. A Lisboa dos "jovens" ricos, que trabalham em Bancos ou Consultoras, ganham muito dinheiro, vivem bem e estão espalhados um pouco por toda a cidade. A Lisboa noctívaga, do Bairro Alto, Santos, Docas e agora também do Parque das Nações. A Lisboa dos que moram nos subúrbios, e vivem em Lisboa num vai-vem. A Lisboa dos imigrantes, do Martim Moniz, dos Africanos, Indianos, Ucranianos, Chineses. E ainda deve haver tantas outras Lisboasi que eu não conheço.
No princípio, fazia-me uma forte impressão haver aqui tanta gente. Gente com que me cruzava durante o dia, mas tanta, que eu ficava cansada só de passar por eles. Gente sem nome mas que se foi tornando conhecida, pela força de passar nas mesmas ruas à mesma hora tantas vezes. Gente que me entrava pela casa a dentro com as televisões aos berros, com os barulhos nas escadas, até com a sua tosse. Essa falta de sossego, aliada à solidão reinante, deixavam-me extenuada.
Agora, até posso passar um dia a andar de metro, perceber a evolução de um jogo de futebol pelas reacções do vizinho de baixo, já não me afecta.
Devo ter-me tornado indiferente e se calhar, sem querer, já deixei de levantar os olhos do chão quando me cruzo com alguém na rua. Bem me avisaram, antes de eu vir, que isso acontecia muito por cá.
 
PS: Acerca da música "Canção", original de Carlos Paredes composto para o filme "Os Verdes Anos". Pretende retratar a situação da enorme quantidade de pessoas que, nos anos 50/60, migrou do campo para a cidade.

publicado por Ana Teresa Fernandes às 11:07

link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

Lisboa continua intrigante

Tejo

de Sophia de Mello Breyner Andresen
in Musa, Caminho, 1994
 Foto de autor desconhecido, Arquivo Fotográfico de Lisboa

publicado por Ana Teresa Fernandes às 21:12

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

Mariza

 

Apesar de ter andado ocupada com a tese não fiquei sempre em casa. Na terça-feira fui ver o concerto da Mariza nos jardins da Torre de Belém.


Há muito tempo que tinha vontade de ir a uma noite de fados ou a uma casa de fados e esta foi uma excelente oportunidade de ouvir Fado ao vivo. Se calhar ainda mais "típica" do que numa casa de fados no Bairro Alto provavelmente cheia de turistas. Belém foi invadida por lisboetas de todas as idades, com alguma ânsia de cultura e pouco dinheiro, que aproveitaram esta borla para ver a diva do fado moderno.


O concerto foi excelente. Uma mistura de fados antigos, demais conhecidos, os êxitos da Mariza e outros também dela mas mais desconhecidos. Um dos que me chamou à atenção foi este "Montras" que ela cantou depois do típico "Maria Lisboa". Gostei da actualização pois a verdade é que Lisboa já não é uma varina de chinela no pé. Aqui fica este fado que fala sobre esta cidade que tanto me intriga.

 

Mariza
Montras


publicado por Ana Teresa Fernandes às 17:13

link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

O Homem do Pão

Há alguns anos (4 talvez) comecei a encontrar, ocasionalmente, numa das zonas mais movimentadas de Lisboa um homem a distribuir pão montado numa bicicleta. Fiquei intrigada... O que faz um homem curvado e de cabelos já tão brancos, andar perigosamente no meio do trânsito com uma bicicleta carregada com dois alforges de pão? Ainda por cima, só o encontrava quando estava soxinha e cheia de fome. Cheguei e interrogar-me se não seria só uma ilusão... Nenhum dos meus amigos o tinha visto e todos nós passávamos nas mesmas ruas. Podia ser a fome a iludir-me. Podiam ser as saudades de casa a trazer um velhinho simpático, de pele muito branca e faces rosadas. atravessar a avenida.JPG Mas não. Ele existe e ainda hoje continua a distribuir pão com a sua bicicleta. Agora até sei qual a padaria para que trabalha e cruzo-me com ele todas as manhãs. No meio de tanta gente que passa naquela rua, no meio de obras tão sofisticadas que agora lá estão a fazer, lá está ele com a sua bicicleta carregada de pão. E agora, que compreeendo melhor Lisboa, percebo que este homem a distribuir pão é a face visível de uma Lisboa provinciana que habita escondida por detrás de uma capa cosmopolita.

publicado por Ana Teresa Fernandes às 12:37

link do post | comentar | favorito

.eu

.pesquisar

 

.links

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds